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04/08/2008

 

Pequena Esquimó e o Urso Amado

Diz o Rubem Alves, que saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer e não consegue. Concordo com ele e digo mais, existem dois tipos de saudades: a boa e a ruim.

 

A saudade boa é quando temos mais certeza do que incerteza de que o momento que tenta fugir, de alguma forma vai conseguir acontecer. Já a saudade ruim, é quando a certeza é muito pequena ou às vezes é até uma mera esperança, de que o momento que tenta fugir possa conseguir acontecer de alguma forma.

 

Um amigo meu escrevia que quando amamos alguém, a pessoa amada se torna uma divindade e essa é uma experiência fundamental de liberdade, aquela que toca a profundidade do ser humano. Não medimos esforços para encontrar a pessoa amada, rompemos todas as barreiras.

Eu estou uma escrava! Não rompo barreiras nem para matar a saudade visual da minha pessoa amada. Talvez ele seja a única pessoa do mundo que entenda a minha falta de tempo, assim como talvez seja a única pessoa do mundo que possa compreender que o tempo é um detalhe e para torná-lo menos dolorido temos a saudade boa, mesmo que a saudade que sinto agora é ruim, muito ruim.

 

Amo meu querido das saudades: boa e ruim.  

 

 

Ps: Na figura, o doce que a Pequena Esquimó oferece ao Urso Amado, é diet.


Escrito por Camila S.A. às 22h45
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19/07/2008

Vídeo de uma versão diferente da minha música dinamarquesa preferida, Sømand af Verden.


Escrito por Camila S.A. às 03h08
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Dizem que os aspies não querem se aproximar das pessoas e isso é um grande engano. Eu quero, só não sei como. O que acontece é que fracassamos tanto que acabamos criando uma certa resistência, sofremos tanto por fracassar que acabamos por desistir de querer aproximação. Eu consegui aproximação, não sem sofrimento, mas uma bela aproximação, quando me apaixonei por três das minhas terapias: teatro, Pastoral da Juventude e lecionar. O triste é que por mais que eu tentasse, nunca consegui compartilhar a alegria dessas vitórias com alguém, apenas com meus cadernos.

Sempre me intrigou essas manifestações blogueiras dos últimos tempos, mas nunca me achei confortável para aderir a este sistema de “diário virtual”. Depois de muita observação e análise, apliquei uma fórmula aos termos obtidos na observação e tive como resultado um número primo, que em mim representa a solidão, ou seja, se minha solidão é sete, dividida por um que sou eu, dá sete...e fico com toda solidão. Se minha solidão é sete, dividida por sete, que é ela mesma, dá um, ou seja, eu! Enfim, minha solidão é sete e pertence ao conjunto A.

A = {solidão, aspie, idealismo, ostras, decisões, egoísmo, maldade, ilusão, matemática...} Eu coloquei ostra porque pra mim tem um significado e também para ajudar no acróstico...

Numa época atrás, minha solidão deixou de ser sete e passou a ser quatro: dois de mim e dois do Sr. T.. Foi a época menos só da minha vida e conseqüentemente a mais alegre. Sinto falta das conversas que não tivemos, do chimarrão que não tomamos, da galinha que não empalhamos...O Sr. T. foi embora, e de dois, passou novamente a sete minha solidão. Fico me perguntando sobre a solidão dele...

Escrevo não para tentar diminuir minha solidão, mas para jogar ao vento o fruto dela: minhas palavras. Complexas e sem nexo para 98% daqueles que chegam ao final do texto e cansativas e ridículas para aqueles que só lêem as primeiras linhas.

Escrevendo por aqui, talvez eu consiga compartilhar com desconhecidos, através de palavras escritas, o que eu gostaria de compartilhar com as pessoas que amo e que convivo pessoalmente através de conversas, abraços, sorrisos, choros...Gostaria de conhecer pessoas com um pouco mais de paciência...Gostaria de paciência para conseguir explicar sobre cada pedacinho de mim...

 

“Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada,
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.”

(Alberto Caeiro)


Escrito por Camila S.A. às 02h31
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08/07/2008

Sobre o U2 Cover...não precisei rezar como a Irmã Selma (aquela do Terça Insana) e o dinheiro não caiu do céu. Foi só pedir pra minha agiota, carinhosamente chamada de mãe e ela liberou a verdinha.

Os caras eram bons, não vou elogiar muito, dizer que são bons já é o suficiente, pois nada é comparável ao U2 de verdade. Enfim, como era um evento que contava com outros shows, incluído no pacote estava o Disk Jockey Marlboro e suas dançarinas do “créu”. Não é de meu agrado essa palavra escrita em meu blog pessoal, por isso para me referir a ela usarei a expressão música das velocidades, assim não agrido meu blog e nem aos que gostam da tal.

 

Lá estava eu, alegre e saltitante depois do U2 Cover, mas breve foi a minha alegria. De tanta alegria terminei por me perder dos meus amigos. Isso não seria problema se eu não estivesse num show do indivíduo da música das velocidades, pois em Gaspar todos se conhecem, é difícil ficar sozinha. Só que queria os meus amigos naquele momento medonho. Tentamos nos comunicar pelo aparelho móvel, foi em vão. Imaginem uma pessoa emburrada...

 

Lei de Murph: “quando algo está para dar errado dará errado.”

 

Desde que me conheço por gente, aonde vou carrego minha mochila com meu equipamento de sobrevivência. Não, não são maquiagens...

Mas imaginem vocês, que justo naquele dia eu não levei o kit sobrevivência e lá estava eu sem sequer um livro ou um pedaço de papel e um lápis para escrever alguma bobagem. Perguntei se alguém tinha algum desses elementos nos carrinhos de cachorro-quente e nada!

 

Mas vamos lá, sem fazer juízo de valor e somente juízo de fato, vou contar-lhes o que vi e vocês tirem suas próprias conclusões.

 

Decidi assistir o show e cheguei na hora que o DJ começou a tocar a música das velocidades. As dançarinas vestiam um top, tinha piercings no umbigo e usavam um mini shorts de brim. Os homens pulavam alto e as mulheres pulavam nos homens. Todos sorriam muito. Alguns se beijavam. Então foi, comecei a prestar a atenção no palco: velocidade um...as dançarinas se movimentavam fazendo curvas com o corpo. Velocidade dois...pararam de fazer as curvas e movimentavam suas nádegas para baixo e para cima. Velocidade três...movimentam suas nádegas para baixo e para cima mais rápido. A platéia pula, grita, sorri, uns imitam as dançarinas e eu observando, com meu óculos de armação vermelha e minha boina xadrez. Velocidade quatro...as dançarinas ficam de costas para platéia e movimentam rapidamente suas nádegas, os homens...bem, os homens...não, não vou fazer juízo de valor. Velocidade cinco...desculpa, não posso continuar, foi justo aí que fiquei traumatizada.

 

Fiquei o resto da noite pensando sobre o funk. Sei que surgiu há muito tempo como forma de expressão de um povo marginalizado, mas através dos anos adquiriu um caráter desvirtuoso. Não escapa disso o Rock, o Rap e o Reggae. A indústria cultural (termo usado por Theodor Adorno) destrói a expressão tornando tudo algo utilitário. Use e jogue fora, amanhã não vale mais.

 

Desde os primórdios os homens vêm criando religiões, sistemas filosóficos, seitas para ditar as regras pelas quais devemos viver. Nunca deu certo...sempre burlamos.

 

Gosto de usar como exemplo as histórias bíblicas.

Noé fez uma aliança com Deus e depois de ter feito o combinado embebedou-se, jogando tudo por água abaixo.

 

Abraão, provou que era fiel a Deus, quase sacrificou Isaac seu filho, mas seus descendentes por inveja terminaram como escravos no Egito.

 

Moisés, foi o escolhido para libertar os escravos hebreus do Egito, passou quarenta anos no deserto com o povo, recebeu as leis divinas e morreu ao chegar à terra prometida. Seu povo desobedeceu as leis e novamente começou exploração e escravidão.

 

Enfim, eu comecei com U2 Cover, passei pelo funk e terminei com Moisés e os hebreus para repetir uma frase que foi dita antes de Cristo, por um sofista chamado Protágoras. Compreendam-na como quiserem, o texto acima ajuda na reflexão: “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."

 

Próximo capítulo: Por que escrever num blog? Não percam...

 

 

 

 


Escrito por Camila S.A. às 23h38
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05/07/2008

 

 

Hoje tem U2 Cover aqui na minha terra e eu só tenho o dinheiro da passagem (de ida). Estou aqui pensando em planos mirabolantes para conseguir entrar nesse show. Estarei saindo daqui a 20 minutos e os R$25,00 não cairão do céu!

 

Oh que tristeza! Nem quero me imaginar do lado de fora do show. =(

 

Imagina eles cantando With or without you e eu totalmente no without! Quero estar with...

 

 

Se ao menos eu soubece rezar igual a Irmã Selma...


Escrito por Camila S.A. às 21h46
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Dentre as muitas coisas que me agradam, poucas são as que me surpreendem. Dizem que a beleza das crianças está na capacidade de se surpreenderem com tudo, eu cresci e estabeleci critérios. Não conseguiria passar o resto da vida imaginando coisas, precisei começar a experimentar as coisas imaginadas, descobrir se elas eram de verdade.

Há quem diga: “Tu deverias usar mais o teu coração.” Mas como posso? É maléfico a meu coração deixá-lo com as responsabilidades que cabe a minha mente. Reservo-o para o que merece ser eterno. Minha mente guarda a lembrança de um beijo, enquanto meu coração eterniza-o. Confesso, o acervo é muito pequeno, mas de tamanha intensidade...E=m.c²

 

Das coisas imaginadas foi de onde nasceu às coisas exatas. De nada adiantaria não duvidar, não levantar hipóteses, para isso usa-se a criatividade. Só que chega um tempo que é preciso definir algo, não conforta mais a idéia de perder-se em devaneios e poder viajar sem destino. Chega um tempo em que se descobre exatamente aonde se quer ir e o porquê de querer chegar lá. Por hoje é isso! 

 


Escrito por Camila S.A. às 02h06
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09/06/2008

 

 

 

Às vezes devagar, às vezes de súbito

todos de alguma forma terminam por partir.

E eu parto para dentro de mim

e para fora do lógico

Eu sinto medo como tu sentes

Sinto vergonha e sinto saudades

Tu nada sentes de mim

A solidão pregada a minha existência

O infinito de meus olhares

A ausência de meus sentimentos.

Eu choro e sorrio como tu

Tu nada compreende de minhas emoções

Meu pranto nasce em lugares desconhecidos

Meu sorriso é sempre sem nexo.

Eu amo e odeio como tu

E tu nada sabes de meus devaneios

Meu amor não se despede, não chega e não vai embora

Minha raiva é raiva perdida no espaço-tempo.

Queria poder falar-te sobre essas coisas,

mas não queria que sofresse como eu ao descobri-las

e mesmo que queiras, nada irá mudar,

seja em mim ou em ti.

Tu és incompreendido

Eu nasci da incompreensão.

 

 

 


Escrito por Camila S.A. às 12h51
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03/06/2008

Iniciando minhas atividades blogueiras e iniciando com inspiração para escrever nada. Deixo por conta do Poe:

Cheio de espuma e âmbar misturados
Esvaziarei este copo novamente
Visões as mais hilariantes embarafustam
Pela alcova de meu cérebro
Pensamentos os mais curiosos fantasias as mais extravagantes
Ganham vida e se dissipam;
O que me importa o passar das horas?
Hoje estou tomando cerveja...

 

 

Se eu estivesse mesmo tomando cerveja, estaria bem melhor...

 

 


Escrito por Camila S.A. às 21h32
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